sexta-feira, 14 de setembro de 2012


A  Pequena Sereia  (Hans Christian Andersen) e a “Pequena Peixe”

(...Bem  sei  da  tua  dificuldade  na terra, farei  o  possível par a  morar  contigo  na  pedra . )
A pedra mais alta – Teatro Mágico

“A Pequena Sereia é uma estória de um amor intenso, mas impossível, marcada pela doação e pelo martírio. A sereia, um ser marítimo, famosa pela bela voz e pelos sedutores cabelos...características que encantam os marinheiros, que se apaixonam e deixam-se levar pelas criaturas do oceano; se apaixona por um humano e no ardor da sua paixão, aceita vender sua maior dádiva, sua bela voz, para uma bruxa, a troca de ter as tão necessárias pernas, que a levariam ao encontro do seu grande amor.

Além de perder sua voz, a sereia precisaria conquistar e casar-se com seu grande amor, caso contrário, ia se transformar em espumas ao mar, já que abrira mão de sua imortalidade e as sereias não têm alma, por isso, não podem morrer.

 Ela sofreria também, ao caminhar, a dor de facas penetrando seus pés.

Estes sofrimentos impostos, não levaram a sereia apaixonada a desfazer seu plano de viver um grande amor.
Falhando em seu plano, já que o amado ficou noivo de outra, a sereia estava condenada a um destino cruel, que se consolidaria numa viagem de navio que ela fazia junto com outros convidados para o casamento do jovem com sua noiva humana.

As irmãs da sereia procuram a bruxa e buscam uma saída para a irmã: elas dariam seus cabelos em troca de um punhal com o qual a sereia apaixonada deveria matar seu amado antes do casamento, livrando-se assim, dos martírios que lhe estavam destinados.

Como o amor pelo jovem humano, falava mais alto em seu coração que o amor pela vida, a pequena sereia deixa que os noivos se casem e cumprindo sua sina, se transforma em espumas ao mar.

Uma estória triste sobre um amor que levou a bela voz do mar a se calar e a dar a vida pelo homem amado, mesmo que ele não lhe pertencesse ( e talvez nem lhe merecesse...)”




As sereias sempre me fascinaram, não tanto pela sua beleza, mas pela sua dualidade frágil.
Dualidade essa que os piscianos conhecem tão bem...
Metade mulher ( da terra, da realidade, do mundo), metade um ser do mar (etéreo, subjetivo, mutante,alheado,mágico).
Quando criança,  sempre arrebatada pelo encantamento da leitura, ganhei de minha mãe o livro da Pequena Sereia.
Adorei, era lindo, mas quando ela lia a estória para mim , não me era possível  ouvir na íntegra por mais de cinco minutos.
Eu chorava e chorava e chorava e chorava...
 Aquela sina da pobre sereia me encantava e me dilacerava.
A  lembrança até hoje me conduz a mim mesma  – criança de 5 anos- molhando a capinha do pequeno livro  verde  azulado com as minhas lágrimas.
O drama da sereia me comovia, me doía profundamente. Uma dor nova, mas que de alguma forma, me era familiar.
Agora, adulta, madura, (sobre) vivendo a segunda metade da vida, talvez tenha descoberto porque aquela fábula me comovia tanto.  
A Sereia não se adaptava à terra. Ela não conseguia sobreviver na terra. Era uma estrangeira .
Quando andava com os pés no chão sentia dores terríveis como facas que impunham um sofrimento contínuo àquela frágil criatura.
Ser sereia em terra firme é andar na contramão... (mas isso já é tema de uma outra história).




Um comentário:

  1. Fábula da Pequena Sereia me lembrou uma frase do Humberto Gessinger sutilmente citada em uma de suas canções: "Não viro vampiro, eu prefiro sangrar, me obrigue a morrer, mas não me peça pra matar."

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