quarta-feira, 19 de setembro de 2012
O essencial é saber ver
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender...
Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...
(Alberto Caeiro no livro Variações Sobre o Prazer de Rubem Alves)
"Ser eu mesmo", este é desafio nosso de cada dia.
As máscaras se impõem e muitas vezes deformam o rosto, quando as tiramos, por vezes já nem sabemos mais quem somos...
Crescemos e vamos perdendo nossa espontaneidade, vamos nos fechando, rotulando, calando (sangrando...) e juntando os pedaços de nossos eus para poder seguir em frente.
Seguir em frente é condição imposta pela existência, ninguém pede para nascer, mas permanecer por aqui acaba se tornando dever, ou karma, ou fardo...
Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande... (Adélia Prado)
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