quarta-feira, 26 de setembro de 2012



Quem não tem para onde ir, precisa descobrir a graça de ficar.

(Padre Fábio de Mello) 


terça-feira, 25 de setembro de 2012


Ontem, revendo trechos do filme do Raul, fiquei emocionada e ainda mais sensibilizada com o talento daquele cara. 
Era único, um ícone, uma lenda, o "início, o fim e o meio".
Intenso,inquieto, inconformado.

Raul acabou vivendo muito em muito pouco tempo porque tinha uma urgência de vida e uma lucidez "enlouquecedora".

Via demais, sentia demais, tudo para ele era demasiadamente largo, denso, dramático, visceral...tudo sangrava  na sua visão de homem de vanguarda que havia nascido "há dez mil anos atrás".


Realmente, ele era um sábio,pairando a mil anos luz à frente desse planeta.



"Morte, morte, morte, morte, morte que talvez seja o segredo dessa vida..."

Como disse o Caetano no final do filme: Raul, as pessoas não morrem.



Raul nunca morreu. Ele é eterno.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012


Permita que sua solidão seja bem aproveitada, que ela não seja inútil. Não a cultive como uma doença, e sim como uma circunstância. Em vez de tentar expulsá-la, habite-a com espiritualidade, estética, memória, inspiração, percepções. Não será menos solidão, apenas uma solidão mais povoada. Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão, escreveu Baudelaire.

Ah, os livros, outra vez.
Martha Medeiros
Meu blog é tão solitário...Ou será apenas uma impressão?


"Compreendo a felicidade dessa forma. Viver confortável em mim mesmo, e vez ou outra receber a confirmação que me vem pelas sensações. 

Reconheço minha felicidade escondida em coisas miúdas. São pequenas interferências que quebram o cotidiano e sua continuidade. Por um instante, a vida parece parar. 

O coração descobre um novo jeito de enxergar o sempre visto, o mundo que nunca muda, e nele encontra um motivo para sorrir, ainda que a vida ande escassa de alegrias. Custa a gente aprender, mas nem sempre a felicidade estará de braços dados com a alegria. 

A alegria sobrevive de motivos externos.Felicidade não. É mais profunda. Não depende das alegrias para que seja real. É possível ser feliz mesmo quando não estejamos alegres. Em muitos momentos árduos da vida eu permanecia feliz. Por quê?

 Eu tinha certeza de que estava no lugar certo, fazendo a coisa certa.
A realização humana, raiz de toda felicidade, consiste em saber-se a pessoa certa no contexto das escolhas feitas. Encontrar conforto, ainda que a vida esteja pesada, porque sabemos que estamos onde verdadeiramente deveríamos estar.É o sacrifício salutar.

 Reconhecer que, mesmo na ausência de alegrias,a felicidade permanece motivando a luta."

(do livro "TEMPO DE ESPERAS" do Pe.Fábio de Melo)


quarta-feira, 19 de setembro de 2012



O essencial é saber ver 
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender...

Procuro despir-me do que aprendi,

Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...

(Alberto Caeiro no livro Variações Sobre o Prazer de Rubem Alves)



"Ser eu mesmo", este é desafio nosso de cada dia.
As máscaras se impõem e muitas vezes deformam o rosto, quando as tiramos, por vezes já nem sabemos mais quem somos...
Crescemos e vamos perdendo nossa espontaneidade, vamos nos fechando, rotulando, calando (sangrando...) e juntando os pedaços de nossos eus para poder seguir em frente.
Seguir em frente é condição imposta pela existência, ninguém pede para nascer, mas permanecer por aqui acaba se tornando dever, ou karma, ou fardo...


Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande... (Adélia Prado) 



segunda-feira, 17 de setembro de 2012



Verdades do Livro : 

PICOS E VALES

Faça da realidade sua amiga.

QUAL A VERDADE NESTA SITUAÇÃO?

* Para sair rapidamente de um vale identifique e aproveite o bem oculto num momento ruim.
* Relaxe e reconheça que os vales têm fim.
* Faça o oposto daquilo que o pôs no vale.
* Não seja tão centrado em si mesmo.
* Seja mais útil no trabalho.
* Seja amoroso na vida pessoal.
* Evite comparações.
* Descubra o bem que jaz oculto num momento ruim.
* Aproveite-o sem demora em benefício próprio.


Para permanecer mais tempo num pico: 
* Valorize e  administre seus momentos bons com sabedoria.
* Seja humilde e agradecido.
* Continue fazendo as coisas que o levaram até lá.
* Continue fazendo tudo cada vez melhor.
* Faça mais pelos outros.
* Poupe recursos para os vales que estão por vir.


Para chegar a seu próximo pico : SIGA SUA VISÃO SENSÍVEL

* Imagine-se gozando de um futuro melhor.
* Imagine em detalhes tão específicos e verossímeis que em breve terá o prazer em fazer o que for preciso para chegar lá.

Para ajudar as pessoas: 
Conte isso aos outros!
AJUDE AS PESSOAS A FAZER OS MOMENTOS BONS E RUINS TRABALHAREM PARA ELAS TAMBÉM.




PICOS E VALES de Spencer Johnson - O livro

Leitura muito válida no final de semana de chuva.
Pensar, refletir, olhar em volta e perceber que o vale não é tão ruim assim, e que  para alcançarmos o pico, em primeiro lugar temos que nos ajudar a atravessar muitos vales...

Aceitar, ser humilde e reconhecer que TUDO, absolutamente TUDO na vida tem um propósito, maior do que nossos olhos podem ver. Cabe a nós, sentir, e sentir é mérito do coração e da alma.

Ter a grandeza de ser humilde, mas obstinado. Usando a Visão Sensível, seguir em frente, sempre e sempre. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


A  Pequena Sereia  (Hans Christian Andersen) e a “Pequena Peixe”

(...Bem  sei  da  tua  dificuldade  na terra, farei  o  possível par a  morar  contigo  na  pedra . )
A pedra mais alta – Teatro Mágico

“A Pequena Sereia é uma estória de um amor intenso, mas impossível, marcada pela doação e pelo martírio. A sereia, um ser marítimo, famosa pela bela voz e pelos sedutores cabelos...características que encantam os marinheiros, que se apaixonam e deixam-se levar pelas criaturas do oceano; se apaixona por um humano e no ardor da sua paixão, aceita vender sua maior dádiva, sua bela voz, para uma bruxa, a troca de ter as tão necessárias pernas, que a levariam ao encontro do seu grande amor.

Além de perder sua voz, a sereia precisaria conquistar e casar-se com seu grande amor, caso contrário, ia se transformar em espumas ao mar, já que abrira mão de sua imortalidade e as sereias não têm alma, por isso, não podem morrer.

 Ela sofreria também, ao caminhar, a dor de facas penetrando seus pés.

Estes sofrimentos impostos, não levaram a sereia apaixonada a desfazer seu plano de viver um grande amor.
Falhando em seu plano, já que o amado ficou noivo de outra, a sereia estava condenada a um destino cruel, que se consolidaria numa viagem de navio que ela fazia junto com outros convidados para o casamento do jovem com sua noiva humana.

As irmãs da sereia procuram a bruxa e buscam uma saída para a irmã: elas dariam seus cabelos em troca de um punhal com o qual a sereia apaixonada deveria matar seu amado antes do casamento, livrando-se assim, dos martírios que lhe estavam destinados.

Como o amor pelo jovem humano, falava mais alto em seu coração que o amor pela vida, a pequena sereia deixa que os noivos se casem e cumprindo sua sina, se transforma em espumas ao mar.

Uma estória triste sobre um amor que levou a bela voz do mar a se calar e a dar a vida pelo homem amado, mesmo que ele não lhe pertencesse ( e talvez nem lhe merecesse...)”




As sereias sempre me fascinaram, não tanto pela sua beleza, mas pela sua dualidade frágil.
Dualidade essa que os piscianos conhecem tão bem...
Metade mulher ( da terra, da realidade, do mundo), metade um ser do mar (etéreo, subjetivo, mutante,alheado,mágico).
Quando criança,  sempre arrebatada pelo encantamento da leitura, ganhei de minha mãe o livro da Pequena Sereia.
Adorei, era lindo, mas quando ela lia a estória para mim , não me era possível  ouvir na íntegra por mais de cinco minutos.
Eu chorava e chorava e chorava e chorava...
 Aquela sina da pobre sereia me encantava e me dilacerava.
A  lembrança até hoje me conduz a mim mesma  – criança de 5 anos- molhando a capinha do pequeno livro  verde  azulado com as minhas lágrimas.
O drama da sereia me comovia, me doía profundamente. Uma dor nova, mas que de alguma forma, me era familiar.
Agora, adulta, madura, (sobre) vivendo a segunda metade da vida, talvez tenha descoberto porque aquela fábula me comovia tanto.  
A Sereia não se adaptava à terra. Ela não conseguia sobreviver na terra. Era uma estrangeira .
Quando andava com os pés no chão sentia dores terríveis como facas que impunham um sofrimento contínuo àquela frágil criatura.
Ser sereia em terra firme é andar na contramão... (mas isso já é tema de uma outra história).




quinta-feira, 13 de setembro de 2012




“O imaginário, 

caso se queira de fato

uma definição, presente em As Estruturas Antropológicas do

 Imaginário, de Gilbert Durand, é a relação entre as

 intimações  ob jetivas e a subjetividade. As intimações objetivas são os

 limites que as sociedade impõem a cada ser. 

Relação,

 portanto,entre as coerções sociais e a subjetividade.


Nisso entra, ao mesmo tempo, algo sólido, a vida com suas diversas


 modulações, e alguma coisa que ultrapassa essa solidez.

Há sempre um vaivém entre as intimações objetivas e a

 subjetividade.

Uma abre brechas na outra.”


(Michel Maffesoli)






Há dias em que me sinto farta da realidade, essas "intimações objetivas" que me agridem, esse mundo hostil (lembro daquela frase que "alguém disse um dia": vencer num mundo que não me interessa), essa teia previsível que nos limita e que se impõem como uma parede.

Tenho dificuldade de acordar, sair da cama, a luz do sol é como um soco na cara ( a lua é tão sutil...) e  enfrentar o "mais do mesmo". 

A rotina dessa chata chamada manhã...o implacável relógio, o mesmo trajeto, buzina, sinaleira, gente de expressão vazia descendo do ônibus e marchando para o trabalho, levando a pequena vianda para engolir a sua comida barata nos quinze minutos de intervalo dessa prisão que os homens chamam de trabalho... sempre a mesma desbotada e estreita realidade de mais uma manhã.

O mundo é tão grande, tão bonito, tem tanta coisa pra olhar, pra viver,mas meus olhos são prisioneiros sempre do mesmo cenário. Tristeza e amargura. Não consigo aceitar isso de sempre andar em círculo, quero ver outras coisas, tenho urgência de vida, não de sobreviver, mas de VIVER em plenitude.
 Apenas contemplar a sedução do não vivido...de longe, já não me basta.

Por vezes, me falta energia, alguma espécie de estímulo ou não sei que nome tem isso de "querer muito ficar vivo"... 
Quero é dormir e dormir e dormir porque dormir, mais do que sonhar, me permite adentrar em outra realidade. Introspecção. 

Viajar. Outra "real ou irreal", mas sem as amarras do que se enquadra dentro do possível objetivo, palpável, medíocre, sem graça!

Letargia. Sono. Overdose de subjetividade. 
Hoje saí, mas deixei a alma em casa.

(ainda bem que nem todos os meus dias são assim...)





quarta-feira, 12 de setembro de 2012


Uma parte da nossa turma: eu, Lisandro, Simone, Angelita, a nossa querida profa Lúcia, Cris e Verônica.
Povo muito especial pelo qual eu vou guardar um carinho imenso pelo resto da minha vida... no Mestrado é assim, todo o sonho do aluno "especial" é ser aluno "regular"  ;)

Eis que o Ira me pede "um autógrafo" e a Fran registra (sem eu ver) o momento...
Eu e o livro.

O imaginário é uma torrente, jorra com força.  Ele nos envolve e ao mesmo tempo nos despe. É fragilidade, vulnerabilidade revestidas de fortaleza e de lucidez. Ele nos contempla e nós o contemplamos, ele nos devora e nós o devoramos... De súbito, nos permite um outro olhar. Olhar para dentro, para nossas entranhas...
Entranhamento. Estranhamento. Distância. Depois, reaproximação, reorganização, aceitação, paz.
Autobiografia e imaginário são duas vertentes que pulsam antagônicas, mas, se completam. Solene e eternamente.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

É hoje.
Muito feliz! 
:)



O melhor conto que escrevi, amo tanto que nem parece meu...:)





Ana e o Circo

Estou tendo uma liberdade íntima que só se compara a um cavalgar pelos campos afora. Estou livre de destino.
(Clarice Lispector)

Ana entrou na cozinha. A pia estava coberta de louça. A vassoura repousava solitária encostada na porta e o chão estava cheio de migalhas de pão. Dois guardanapos felpudos e estampados aguardavam por algo, pendurados na beira do fogão. Algumas laranjas e duas bananas descansavam dentro de uma travessa de vidro transparente colocada no centro da mesa redonda. A janela estava aberta e a brisa movimentava as cortinas melancolicamente. No ar, pairava um aroma suave de salsa e alecrim.
Todos os dias, o fardo da mesma rotina doméstica. Da sua maneira, Ana achava que era feliz. Vivia imaginando se existia algum outro tipo de vida além daquela cidadezinha, da sua pequena casa, do pátio gradeado e das paredes monótonas e brancas.
João, seu marido, chegava para o almoço pontualmente às doze e quarenta, depois chegava Júlia, a filha mais nova e Carlos, o outro filho. Todos sentavam à mesa, trocavam algumas frases escassas e devoravam a comida. Após o ritual previsível do almoço, cada um seguia para o seu mundo, restando Ana e as panelas vazias e sujas, o cheiro dos temperos entranhado nas mãos, os pratos engordurados e manchados de feijão, os copos vazios e a palidez de espanto dos guardanapos de papel.
Foi assim durante muito tempo. Até  uma  certa tarde.
Ana lavava a louça, alheada em pensamentos errantes, quando ouviu uma música vibrante, palmas enérgicas, vozes alegres. Despertou da inércia, arrancou o avental, calçou os chinelos, abriu rapidamente o portão e correu até a esquina.
O caminhão tomava conta da rua. Era enorme e colorido, cheio de cartazes e bandeirinhas. O circo tinha chegado à cidade.
Em uma jaula, desfilava o leão (um felino impassível), depois vinha o palhaço distribuindo balas e sorrisos, os cabelos vermelhos e esvoaçantes, a roupa larga, listrada com azul e branco. Depois, a bailarina cheia de encantos, bela e etérea. Em seguida, o malabarista, o domador e o trapezista. Este tinha um charme especial e um olhar cheio de promessas. Usava uma roupa justa, negra e brilhante.
O primeiro espetáculo seria naquela noite, às nove horas.
Ana ficou maravilhada. Nunca tinha visto o circo, somente na televisão. Nada no mundo a impediria de ir à estréia.

João chegou do trabalho, às sete e meia, rabugento e cansado, jantou e ficou sentado em frente à televisão, hipnotizado por uma partida de futebol. Os óculos dançando na ponta do nariz, as mãos grandes e grosseiras abrindo com força uma garrafa de cerveja.
¾ João, vou ao circo ¾ disparou Ana.
João não respondeu.
¾ João! João,estou saindo, vou ao circo ¾ insistiu Ana.
O homem levantou a cabeça e surpreendeu-se  ao ver a esposa arrumada com seu melhor vestido, perfumada com aroma de jasmim, os cabelos cuidadosamente presos num coque, os lábios úmidos e rosados, sapatos de salto alto combinando com a bolsa preta.
¾ O que? Tu vais naquela porcaria de circo? E precisa se arrumar desse jeito? Não estou gostando dessa história ¾ rosnou o marido. ¾ Pára com isso, mulher, vai arranjar alguma coisa de útil pra fazer! Circo...era só o que faltava ¾ protestou João, enchendo um copo com cerveja até a borda.
¾ Eu vou, João ¾ sentenciou Ana. ¾ Vou e não vai adiantar tu ficares reclamando. Até mais ¾ finalizou, pegando a chave em cima da mesa e caminhando, decidida, em direção à porta.
¾ Então vai, mulher, vai bobear com estas coisas de cidade grande! Mas vê se não esquece de passar a minha camisa branca que eu preciso usar amanhã lá na firma ¾ esbravejou o homem batendo com a garrafa vazia em cima da mesa.
           
 Ana sentou-se na segunda fila. As cadeiras já estavam quase todas tomadas, mas ela conseguiu um bom lugar com visão privilegiada de todo o cenário. Não podia perder nenhum detalhe. Olhou o relógio. Faltavam cinco minutos para as nove, a hora mágica. As mãos úmidas e frias agarravam a bolsa com firmeza. Às nove horas e cinco minutos a luz apagou-se e os tambores rufaram. O coração de Ana disparou. Ela prendeu a respiração e fechou os olhos. Quando os abriu, viu quatro bailarinas, leves como um balão de gás, flutuarem no picadeiro. Pareciam voar. O espetáculo tinha começado e uma emoção sem limites tomou conta dela.
Veio o mágico, depois os palhaços, o globo (da vida) e da morte, o domador e o leão, os trapezistas que desafiavam o perigo e Ana, magnetizada pela força viva daquele espetáculo foi arrebatada pelo novo. A fantasia rasgava a pele da realidade. Tudo era perfeito, colorido e harmonioso como um sonho bom. A magia e a sedução do circo se derramavam na vida estreita de Ana com a fúria e a grandeza de uma tempestade.
Na plenitude da descoberta, sabia que alguma coisa dentro dela, naquele momento, se transformava. Uma nova percepção era inaugurada. Êxtase. Absoluto. Uma  outra (e desconhecida) mulher, que vivia sufocada dentro daquela pacata dona de casa, emergira. Sua alma acercava-se de um sentimento pungente de ruptura e evasão.
Embalada pela música e pelas luzes, Ana viajava por outras realidades longínquas, mas possíveis.
Enfim, o espetáculo terminou, mas para Ana apenas havia começado. Ela voltou à consciência e retornou para casa. Estava distante. Ainda fazia o almoço e lavava a louça. Mas não era como antes.
O marido e os filhos não reconheciam a mesma Ana.
Em uma noite, o circo partiu para sempre.
E Ana partiu com ele. Não podia mais fingir, já não cabia naquela rotina. Transfigurada, atendeu ao apelo do sonho, ao chamado da vida.
Seria imperfeita se ficasse.



Pisando em ovos

...Nem sempre é possível abrir o coração e dizer tudo o que se pensa. Se as pessoas pudessem adivinhar o pensamento real e pleno das outras, ninguém se relacionaria.

Isso não significa “amar menos”, mas entender que somos humanos e que alguma diplomacia é necessária, mesmo com aquelas pessoas com quem temos tanta intimidade...

 Às vezes precisamos sorrir diante de coisas que ouvimos e não concordamos, mas é disso que o amor é feito: de consideração pela diferença do outro, ainda que não a apreciemos o tempo inteiro.