"Adeus. Não posso separar-me deste papel que irá ter às tuas mãos. Quem me dera a mesma sorte! Ai, que loucura a minha! Sei bem que isso não é possível! Adeus; não posso mais. Adeus. Ama-"Adeus. Não posso separar-me deste papel que irá ter às tuas mãos. Quem me dera a mesma sorte! Ai, que loucura a minha! Sei bem que isso não é possível! Adeus; não posso mais. Adeus. Ama-me sempre, e faz-me sofrer mais ainda". Foram as palavras da primeira de cinco cartas de amor que Soror Mariana Alcoforado escreveu ao oficial francês Chamilly, durante a Guerra da Restauração. Temeroso, saiu de Portugal mas prometera mandar buscá-la. Na sua espera, em vão, Mariana Alcoforado, escreveu algumas das mais belas e controversas cartas de amor que chocaram a sociedade conservadora da época.
Me tomam por tomada
a mim se dou
meu peito e meu convento
em troca de mais nada
que alheava andava
tão alheada andava
Me davam por freira
conformada
no hábito que habito
ou habitava
que alheada andava
tão alheada andava
(Novas Cartas Portuguesas)
Linda história de amor da Marina Alcoforado. Vendo a Gabriela, choro em ver a Gerusa presa naquele convento longe do Mundinho Falcão. Naqueles tempos tantas Gerusas, tantas Marianas e tanto amor verdadeiro reprimido e contido...
Hoje, tudo fácil, tudo tão disponível e tão provisório, fez esvaziar-se o encanto...
Tanto falso amor liberado, tão raso, tão descartável.
Vazio e Solidão.
Mesmo sozinha,prisioneira do convento Mariana-Gerusa via sua solidão acompanhada pela certeza do amor correspondido. Hoje vemos as mulheres tão, soltas,"avulsas", liberadas e modernas... eternas solitárias em meio à uma multidão sem rosto mendigando algum afeto...
Triste realidade do mundo "moderno".
Desencontro.
Desencanto.
"Descompasso, Desperdício,
Herdeiros são agora da virtude que perdemos
Há tempos tive um sonho,
Não me lembro
Não lembro..."
(Legião Urbana - Há tempos)
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