quinta-feira, 13 de junho de 2013

Quero ir para as ruas
Desabafar o meu grito
Deixar minha voz escapar
E ecoar pelos ares
Deixar de ser só pensamento
E não ser mais tão sozinha
Porque ela quer ser coro
Não quer mais ser só minha

Em busca de novos destinos
Meus pés querem marchar
Sentir o chão da terra
E o asfalto quente que lhe veste

Com punhos erguidos
Minhas mãos querem vibrar no ar
Onde soam palavras de ordem
Querem agitar bandeiras
Juntar mãos com mãos
E sentir com força o aperto de cada uma

Minha pele quer se vestir de povo
Conhecer o suor do trabalho
Sentir a dor do outro
Arrepiar-se com alegria
Ao ver na luta uma esperança

E minha mente quer descanso
Quer um dia dormir sossegada
Quando a utopia do amanhã não for mais um sonho
E a realidade de hoje for só mais um pesadelo

(Léo Maia)

O arcano IX, chamado “O Eremita”, emerge como significante central de sua questão afetiva, Daniela, e este é um dos arcanos mais importantes que alguém pode tirar como central numa questão afetiva, pois retrata os processos de amadurecimento que conduzem uma pessoa à maturidade para viver um relacionamento. Sim, pois amar é muito mais uma questão de “estar pronto e maduro para tal” do que simplesmente “querer encontrar alguém”. A arte do amor é, em grande parte, a arte da paciência, e o Eremita vem lembrar que para nos oferecermos aos outros precisamos em primeiro lugar estar maduros para tanto e com suficiente paciência para lidar com as diferenças alheias. 

De certa forma, o Eremita é um arcano maravilhoso em termos de evolução afetiva, a despeito de ensinar uma dolorosa lição: todos estamos sozinhos na vida e por mais que alguém fique conosco por um, dez ou trinta anos, em diversos momentos só podemos contar conosco mesmos. A partir desta consciência de que por mais que amemos a outra pessoa ela jamais preencherá todos os nossos vazios, passamos a aceitar a presença de seres humanos reais e não criaturas bizarramente idealizadas, príncipes e princesas encantadas que só existem em contos de fadas e jamais são perfeitas. 

Três virtudes serão trabalhadas em sua vida afetiva neste momento e são elas: a paciência (para lidar com as diferenças), a prudência (a fim de jamais confiar inteiramente em ninguém), e a persistência (para compreender que, no que diz respeito ao amor, muitas vezes é preciso bater várias vezes numa mesma porta). Por um tempo, você se sentirá um tanto quanto só, ainda que esteja com várias pessoas ao lado. Trata-se de um momento de profunda reflexão que, se você souber aproveitar, lhe conduzirá à tão almejada maturidade que permite uma vida amorosa melhor.

...me sinto só,
me sinto só, me sinto tão seu...