Momentos silenciosos, foram aqueles Em que eu e você, ficamos nos olhando, a sós Momentos mágicos, onde eu esquecia Da realidade da minha vida, do meu dia-a-dia A paz do meu espírito, em doses homeopáticas Podia ser mais, mas eu sei que é só isso Eu insisto Eu confesso...eu não presto, mas existo Momentos silenciosos, foram aqueles Em que eu e você, ficamos nos amando, a sós Seu rosto, seu sorriso Sua pele, sua musicalidade me acalmavam (doce ópio) Na fila dos bancos No trânsito confuso Ouvindo o rádio em qualquer estação Preparado para a prisão, das ruas Prisão das ruas
(é isso aí)
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Não sei se quero descansar,por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir
Clarice Lispector Não sei se passam os dias sem sentir ou sem sentido ou se um dia essa busca vai cessar. Todos os dias tentando esquecer, mas "ela está lá" aquela dorzinha antiga que nos acompanha...aquela ferida que hora cicatriza, hora sangra...não tem como descrever.Ela se impõe, ela se alastra. Mas o que será ela? Mistério da existência, contingência, condição, karma ou sei lá que nome ela tem, mas ela existe e fica e fica...aquela sombra, o abismo. Tentando entender, talvez ela seja decifrada e pare de doer, de sangrar, de incomodar, de gritar sua presença, mesmo de forma absolutamente muda... Passam anos, às vezes, ela até fica esquecida, mas "ela está lá" e ela volta, como um fantasma, nos assombra e retorna...e se fixa absoluta em um canto qualquer da existência...o certo é que ela não desaparece nunca, "sempre está lá", por vezes de forma tão intensa, em outras abafada, contida, envolta em véus, mas fica lá e sua permanência é silenciosa e sofrida.Angústia, falta de ar, estranhamento... Melhor ignorar... ela vai continuar lá, mas talvez não se manifeste, em alguns dias, a leveza se espalha no cotidiano e parece até que ela foi embora! Doce ilusão, ela permanece lá só esperando passar a falsa euforia para se mostrar de novo, às vezes, mais cruel e de forma mais permanente. Inútil, lutar contra ela, por toda a vida, ela continuará lá. Sem chance de expulsá-la, ela é moradora perene desta existência, será que ela já nasceu conosco??? Já pensamos que ela iria embora para sempre, mas agora a certeza de sua permanência nos assombra e nos desbota a esperança. Ela é intensa. Conviver com ela. Tentar mantê-la sob controle. Fazer dela a companhia, mesmo indesejada, uma possível, companhia para a solidão existencial. Talvez ela seja a confirmação de que a alma existe. E não cabe neste plano. Sem mais perguntas, resta a inquietação.
Não sei se quero descansar,por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir